Experiências de dor!

Somente a experiência de impotência e de fraqueza, que nos sobrevem em alguns momentos da vida,  pode nos curar da cegueira e da ilusão da cultura moderna e dos sonhos da tecnologia que prometem a salvação de todos os males humanos, inclusive o fim da dor.

Somente na dor da incapacidade de ajudar e socorrer o outro, “o outro” que sofre e que, mesmo sofrendo, percebe a angústia de alguém ao seu lado, nos tornamos conscientes de que não existe algo mais pessoal e íntimo do que a experiência de dor. Tal experiência nos joga no mundo da vida, no mundo concreto do dia-a-dia. Nestes momentos percebemos, ao mesmo tempo, a distância e a proximidade que somos e estamos um do outro e temos a certeza de sermos únicos e irrepetíveis. E por sermos únicos, somos uma solidão.

A ciência moderna, com todas as suas possibilidades boas e ruins, não nos fortaleceu suficientemente e nem nos deu possibilidades de construir ‘o mundo da vida’ sem dor. Ela não trouxe nenhum remédio contra isto e não nos deu nenhum caminho que nos leve para dentro do mundo do outro que sofre. Pois somente no mundo da vida do outro que sofre poderíamos ajudá-lo e socorrê-lo. Do contrário praticaríamos violência contra ele. Estaremos sempre distantes um do outro, embora conscientes de nossa própria dor mais íntima. Mas, a consciência humana mais pura é a consciência da incapacidade de socorrer o outro sem violência,
ou seja, sem o arrancar de seu mundo de dor.

As experiências de dor e impotência diante da realidade do sofrimento do outro, uma realidade que somente o outro deverá enfrentar e superar, em outras palavras vivenciar, nos lançam de volta para dentro de nossa própria realidade que é tão mesquinha e individual que não retrata outra coisa senão que somos uma solidão. Estaremos sempre diante de nós mesmos no mundo da vida e, principalmente, em momentos de dor. Seremos sempre uma solidão diante da contemplação do sofrimento alheio. Somente se formos consequentes e honestos com a solidão que somos não violaremos e nem faremos nenhum tipo de violência
contra o outro e seu mundo da vida.

Ronaldo Sérgio

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