Insondável valor humano!

Devemos cada vez mais nos tornar conscientes de que somos pessoas neste mundo. Pessoas capazes de relação de comunicação com os outros no espaço e no tempo, na sociedade e na história, com estruturas e tradições culturais. Pois, se formos realmente conscientes de nossa unicidade como pessoa diante do outro, de nossa condição humana e de nossa tarefa que consiste em se tornar o que somos chamados a ser com o outro – homens e mulheres humanizados, consideraríamos todas as estruturas secundárias. Estruturas sociais, políticas, econômicas, culturais e religiosas são meios secundários e não finalidades últimas da vida humana. Pois o fim do homem não consiste senão em se humanizar, se tornar pessoa com as outras pessoas, num amplo sentido da palavra. Mas isso não quer dizer que os meios não sejam importantes e nem viáveis ou que a sociedade não deva ser construída.

Um grande erro ao longo do processo de desenvolvimento do ser humano, foi que as pessoas  consideraram a natureza como um meio. Muitos ainda vivem com esta mentalidade. No entanto, devemos ser reticentes em relação a isso, pois a natureza não está diante dos homens como outras estruturas humanas. A natureza não está totalmente à mão do homem como uma ferramenta. Ela se define como “um ser-outro” diante das pessoas e não como uma coisa manejável. E em seu caráter de ser-outro, ela carrega um aspecto inescrutável, insondável. Muitas vezes e de diversas formas nós esquecemos deste aspecto e procuramos construir uma cultura e uma sociedade às custas da destruição natural. O esquecimento deste aspecto inescrutável e insondável levou os homens a esquecerem de seu próprio ser mais profundo, que é o seu insondável valor enquanto membro deste mundo natural. Esta alienação  corrompeu o ser humano em ser des-humano.

A primeira caracterísca de que somos pessoas não é o fato de que podemos fazer cultura, mas o fato de que podemos viver em harmonia com a natureza. Isso não significa que devemos nos animalizar ou vegetar, pelo contrário. Isso significa que devemos ser o que somos e dar nome a este mundo. Pois se formos o que somos chamado a ser, nós cuidaremos e preservaremos ao invés de destruir. A cultura é uma segunda via, pois a primeira via para a humanização é a natureza. Nela encontramos o outro enquanto pessoa, enquanto estranho a nós. O outro com o qual podemos construir a vida e dar sentido ao mundo. Nela encontramos a nós mesmos como ser único, frágil, mas que se deixa ajudar, apoiar pelo outro. Por outro lado, não quero dizer que devemos humanizar a natureza. Devemos acolhê-la como ela é diante de nós, para nós e em nós. Para isso, não precisamos destruí-la. O ser humano deve aceitar-se membro do mundo natural e nunca esquecer seu próprio caráter inescrutável e insondável.

Ronaldo Sérgio

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