Casas Abandonadas!

Minha casa1

Foto de Ronaldo Sérgio

Casas há por toda parte. Casas grandes, pequenas, simpáticas e menos atraentes. Casas de pedra, de cimento, de pau a pique, de madeira ou de outras coisas. Casas de pessoas de todos os tipos e de todas as raças. Abrigos para as pessoas ou esconderijos. Dormitórios apenas, ou um ninho de maldades. No entanto, são casas.

Tenho uma curiosidade enorme quando vejo casas abandonadas. Recordo-me das estórias de minha mãe sobre casarões com tesouros escondidos. Casarões de pessoas ricas, com quartos secretos e desejos acultos. Casas grandes com sótãos empoeirados e com porões escuros. Porões não existem mais, viraram mito. Hoje se constrói casas com anderes. É mais chique e requintado.

Ah, sim! voltemos às casas abandonadas. Aos mistérios que lá se escondem. Às palavras que lá se perderam. Aos traços que as pessoas lhes imprimiram e aos secretos desejos realizados ou não. Casas abandonadas têm outro cheiro e outro sabor. Escondem o mistério da morte, da mudança e da transformação.

Há tristeza também. Uma tristeza rústica que sinto quando as vejo. Parece ser de tempos antigos. Talvez do tempo de criança, com tons de medo e receio. Tenho a sensação de que a vida se esvai, como casas abandonadas e vazias. Que os laços se quebram com o tempo e que a memória que fica não é reconhecida. Fico tempo escondido em mim mesmo e em minha memória encontro resquícios de um sentimento belo: a vida se foi e não volta mais.

Casas abandonadas guardam memórias. Memórias que o tempo levou, assim como trouxe as cores desbotadas, os jardins mortos, os rastros desaparecidos. As palavras também já não ouvimos mais. Apenas o vazio e o oco. Chega tocar minha alma e abrir feridas. Pois o abandono é uma experiência de sofrimento. Perco palavras quando vejo casas abandonadas. Recordo-me do barulho mudo das rodas do carro de boi, cheio de coisas pela estrada afora. Mudanças.

Casas abandonadas choram, mas não se lamentam. Lamentar-se é coisa humana. Chorar é algo do tempo das coisas e dos seres. Pois abandonar é ato humano, que cria vazios de sentido no coração de outras pessoas. Ser abandonado é des-humano. Casas não guardam amarguras. Eles as desenham e as refletem, o que no caração das pessoas se aninha. Casas abandonadas são lindas e trazem promessas. Promessas de reconstrução, de renovação e de amor. Promessas de um futuro melhor, sem abandono e dor. Sem sofrimento. A promessa de vida nova.

 Ronaldo Sérgio

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