A solidão da luz! III

Foi uma noite longa de insônia e sem sonhos. A escuridão era tão densa, não havia anjos, nem duendes. Doía o corpo e o espírito de uma canseira sem medida. A alma e o coração estavam dilacerados. Os pensamentos costuravam uma teia de acontecimentos passados e futuros, um outro mundo. Mas, o presente estava apenas começando.

Como falar dos “vãos da existência” na época da solidão da luz, quando o dia começar? Não há espaço, às vezes. E não há tempo a perder consigo mesmo e nem com os outros. Continue trabalhando e fazendo as horas valerem a pena. Hoje, o sol que aponta no horizonte é tão lindo! Se alguém perceber isto saberá que a luz que enche o mundo é única, mas indiferente. As coisas do mundo são sempre assim, indiferentes. Mas as pessoas nunca são totalmente indiferentes.

Veja como são os cortes no olhar das pessoas. O evitamento das risadas espontâneas. As palavras cheias de sarcasmos e veneno. O semblante envolto de um desejo obscuro. Veja como os corpos que andam pelas ruas se esbarram em si mesmos, enquanto as ruas estão lotadas de gente. O que as pessoas trazem consigo é tudo o que elas tem. Sinta o ar e a atmosfera das histórias contadas pelos mais velhos e veja a desilusão deles. “Tudo mudou. Nada mais é como antes”. Veja a direção das vidas e o fim delas.

Os “vãos da existência” são como pedaços do ser da gente que ficam colados na pele. São como enfeites  de nossa história. Os “vãos da existência” são o reverso do tempo da solidão da luz em que tudo “parece” ser claro, mas não é. Dê chance ao silêncio na vida. Dê chance ao erro e à dor. Dê sentido ao que parece difícil e sem sentido. Dê sentido ao vazio de palavras e sonhos. Não há mistério. É questão de mentalidade. Contudo, é bem difícil fazer que essas coisas tragam frutos para a existência.

Não faça de uma noite longa de insônia e sem sonhos o começo de uma depressão. Aprenda a viver esses momentos quando não há luz. A fraqueza humana está na falta de sentido que damos à esses acontecimentos que nos sobrevêm. “Neste vale de lágrimas”, nesta terra de provações, temos de reconhecer que existem “vãos”, “aberturas”, “brechas” para o novo da vida

Ronaldo Sérgio

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