Amargura

Ai, amargura das pedras!
Quantas gotas d’água
entre muretas e abismos
numa região sem nome!

Por que choras agora e não antes?

Ai, amargura das pedras!
Assombradas noites passadas
no ramerrão dos tempos
e em meio a gemidos e risos!

Por que choras agora e não antes?

Ai, amargura das pedras!
Coisas da vida cheia de coisas
e profundas vertigens
que não levam a nada.
O tempo é uma imaginação!

Por que choras agora e não antes?

Ai, amargura das pedras!
Depois de tanto relutar,
depois de tanto refazer os temas
depois de tanto recriar
e tremeluzir entre ventos e estiagens!

Por que choras agora e não antes?

Ai, amargura das pedras!
Pode ser que ninguém te entenda
E que os recursos da luz se acabem.
Quando nem houver mais tempo
saberás que choras por mim!
Eram dias longos aqueles ao teu lado,
Mas hoje são tão curtos e passageiros!

Ai, amargura das pedras!
Hoje quem chora sou eu
Minha amargura apenas.

Ronaldo Sérgio

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