Viver é construir os dias!

Todos os dias se sentir distante. Distante de um lugar, do cheiro e do frescor das coisas. Distante das pessoas que significam muito para você. Contemplar ao longe as montanhas, o horizonte de um passado, o céu e o futuro que te espera. Sem temores. Consciente de que o tempo não voltará.

Às vezes, no ir e vir dos dias, a vida mesmo se ajeita e se conserta. Não há tristeza nisto tudo. Nem melancolia. Talvez seja uma saudade repentina e a possibilidade de dar novo sentido à tudo o que se passou e reatar laços, que nunca foram quebrados, mas que se escondem nas gavetas do coração.

Quando eu era estudante e sempre tinha tempo, ia contemplar o horizonte de uma tarde ensolarada. Ao longe e bem distante via as montanhas, minhas amigas de tempo de infância. Enquanto eu não perdesse esse fio de vida, eu sempre seria eu e teria um porto, um apoio para viver.

Com o tempo tudo isso recebeu um novo nome. Viver longe passou a ser normal. Tão normal que as montanhas, o céu e o sol não estão mais lá, no lugar onde estavam. Hoje eles estão em minha alma e em meu corpo.

Agora, ainda mais distante, sinto tudo muito perto de mim. Mais perto do que nunca do cheiro, do sabor, da leveza, do frescor e da beleza das coisas e das pessoas. Minha alma guardou tanta coisa que, avulsas na alma, formam um mosaico lindo e colorido.

Viver não é apenas repetir e nem refazer. É seguir em frente criando novos horizontes, descobrindo novas montanhas, pedras, rios, flores e casas. Viver é construir os dias com dor e alegria. É inventar novas palavras para expressar os sentimentos que brotam do coração. Cada instante dizer sim àquele que te ama e que não te ama. E estar pronto para a morte.

Estar longe tornou-se uma ilusão para mim. Contudo, não logro as distâncias que existem. E nem finjo não vê-las. Eu as reconheço. Mas, estou acima delas e sou livre. Hoje vivo com a lentidão das coisas que estão perto de mim. Uma lentidão linda que cria novos horizontes e novos sentidos.

Ronaldo Sérgio

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3 comentários em “Viver é construir os dias!

  1. Também sinto uma enorme saudade! Às vezes, nem sei bem de quê. Quase sempre, nomeio silenciosamente e chamo, sem ser ouvida. Interessante que tenhas publicado num 30 de dezembro. Fins de ciclo são mesmo dolorosos. Nem mesmo as índias parem sem dor (creio). Você é muito bom com as palavras Ronaldo. Parabéns pelo teu acervo. Bom fim de semana.

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  2. KAMBAMI disse:

    Ah meu amigo, queria que para mim fosse tão fácil, ou talvez nem seja e pensei ser pela maneira com que lida sua visão. Sinto falta sim desse passado onde tudo parecia perfeito, sinto falta sim dos banhos de riacho, mesmo nos invernos frios, a vida era quente fluente, ofegante, tudo era para ontem mas sempre querendo e rezando pelo amanhã.
    O amanhã chegou e por mais força que faça para que o ontem volte, sei que lá ele ficou. Claro que não tenho mágoas, nem arrependimentos, sei muito bem que os vivi naqueles momentos, aproveitei talvez como quase ninguém poderia aproveitar, mas confesso do fundo do coração, que me dá saudade, ah isso dá. Abração e linda reflexão, me ajudou a aclamar um pouco meu espírito. 🙂

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