A curva da purificação!

A caminho de casa, descendo o morro procurando alívio. Avistando no horizonte, ao longe, o outro pedaço do caminho. Andando e sentindo os ventos esbarrarem meu corpo e meu pensamento vagando nos próximos dias. Ainda carrego comigo o mesmo sabor na boca. Sabor do fim de um dia de trabalho, indo pra casa.

Pelo pasto das vacas, vendo as árvores solitárias da beira do caminho e os pássaros. As trilhas cortadas pelos pés ligeiros, vão riscando nosso corpo e deixando pra trás um mundo já antigo. Sempre em frente. Nada era por acaso, nem as curvas e nem os declives, nem as baixadas e nem as ladeiras. E se fazia frio ou calor, se chovia ou não, caminhar era viver.

Sinto o meu coração ainda cheio do fervor e da alegria, das promessas de menino, que trabalhava como gente grande. Menino que já conhecia os lados obscuros do mundo, a dor, a tristeza, a decepção e o sofrimento. Nada de mais para minha idade. Tudo muito concreto e vivido à flor da pele.

Hoje perpassam os mesmos sentimentos em meu íntimo, embora com outras cores e outras forças. Tudo carregando um novo sentido e uma nova fisionomia. Revivo os instantes de ir para casa. Os mesmos grilos cantam, os mesmos pássaros voam e o mesmo céu se abre dizendo: ainda há mais por vir, há outros caminhos para se caminhar e há outras aventuras para serem vividas.

Vamos! Vamos em frente! Resta apenas uma curva. A curva da purificação.

Ronaldo Sérgio

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