No quintal de casa!

No quintal de casa havia um portão.
Com uma alça de arame era amarrado.
Incomum quando passávamos por ele.
Como um portal para um outro mundo,
imaginávamos deixar os gritos, o sofrimento e a dor,
chegando no tranquilo país da vida,
perto do bem, das flores e da abundância.
Era a nossa horta.

Do quintal de casa ouvíamos um barulho.
Feita de bambu, de água sempre fria.
Tomar banho ali dava calafrios,
como lavar-se inteiro
das pestes que nos abatiam
e se libertar do sujo e das doenças de cada dia.
Era a nossa bica d’água.

No quintal de casa havia uma cerca,
de arame teso e enferrujado há tempo.
Passar por ela era uma coisa à toa.
O corpo livre se desmanchava em brios
correndo pelo campo entre doces lírios.
Escondendo-se no castelo dos reis
e nas dispensas cheias de delícias,
esquecíamos do mal e da fome e da sede.
Era o nosso pomar.

 Ronaldo Sérgio

Anúncios
Esta entrada foi postada em Poesias.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s