Pegar carona!

Saiu mais cedo do instituto onde estudava, mas naquele dia não quis esperar o ônibus escolar para voltar para casa. Porque estava sem dinheiro para pagar a linha pública, resolveu caminhar até a rodovia e tentar uma carona.

Já era noitinha, estava escuro e um pouco perigoso, mas não se importava e nem tinha medo. Durante a caminhada, pensava na vida e nas muitas possibilidades de chegar cedo a casa. Passaram poucos carros por ele. Nenhum conhecido. Em vinte minutos estava no cruzamento da rodovia pedindo carona.

Já tinha estado em várias encruzilhadas antes, no entanto ali nunca estivera. Era um lugar isolado, não havia moradores por perto e o único posto de gasolina estava fechado. Ouvia-se apenas o cantar conhecido dos pneus dos carros e dos caminhões e, de vez em quando, o barulho das águas do rio que batiam contra as pedras.

Com a mochila nas costas pedia carona esticando os braços e apontando o dedo para a direção que desejava prosseguir. Uma… duas… três… quatro vezes, mas ninguém parou. Persistia pedindo, pensando em chegar logo a casa.

De repente fez-se um silêncio mais prolongado e depois ele ouviu o ranger dos pneus de um caminhão. Porque caminhões geralmente não param para caroneiros, deu sinal com a mão um pouco sem ânimo. Para sua surpresa, o caminhoneiro parou. Hesitou um instante, mas depois correu apressado até a cabine.

“Para onde você vai?” perguntou o caminhoneiro. “Pra Ouro Fino”. “Tudo bem, pode subir” disse novamente. O caminhão era enorme e ele teve dificuldades em subir na cabine. Ficou espantado com o espaço da cabine e com a delicadeza do motorista que o acolheu muito bem. Sentia-se dono da estrada lá de cima e com a potência do caminhão sentia-se muito poderoso.

Conversou durante toda a viagem com o caminhoneiro que pareceu-lhe cansado de tanto viajar. Era um senhor bastante simpático. Queria que sua viagem durasse muito mais, mas depois de 30 minutos chegou ao seu destino e deveria descer. Desceu agradecendo a deliciosa carona que teve. O caminhoneiro seguiu em frente com a sua viagem, enquanto ele voltava contente para casa, porque Deus o tinha agraciado mais uma vez.

Pegar carona pode ser muito perigoso. Não aconselho a ninguém, no entanto pode ser uma bela aventura. O que me entristece não são os perigos que corremos, porque existem pessoas de más intenções pela estrada afora, mas o fato de que há pessoas que só vivem de carona, abusando da bondade dos outros, sugando as forças, as alegrias, o dinheiro e a felicidade de seus irmãos e irmãs. Estes caroneiros deveriam aprender a pegar uma carona e a dar carona, para aliviar os problemas e as tristezas deste mundo.

Ronaldo Sérgio

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