Cenas de mãe!

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Não foi por acaso que hoje tomei nas mãos algumas fotos de minha mãe. Quantas cenas elas evocam em mim. Quantas palavras permanecem soando em minha mente. Quantas fisionomias ficam guardadas como retratos em minha alma.

Cenas dos tempos em que éramos crianças, jovens e, agora, adultos. Momentos de pura alegria e gozo, de tremendo prazer e contentamento. E outros tantos de dor, sofrimento e angústia.

Cenas que vivemos com nossa mãe, que sabia ficar brava e paciente, que adivinhava nossas mentirinhas e conhecia nossas necessidades. Quantos sorrisos pudemos colher durante estes anos todos, quando tudo dava certo em casa, quando tínhamos o que comer, quando tínhamos um presente de natal, quando papai chegava cedo a casa e trazia dois chicletes pra gente dividir um com o outro. Quantos sorrisos de minha mãe quando tudo estava bem com os filhos que tomaram estrada e partiram pra longe.

Quantos momentos de alívio depois de não ter conseguido dormir, pensando nos filhos que voltavam tarde da noite da escola. Que, em muitos casos, se preocupava porque uma tempestade estava por vir e os filhos e o esposo estavam na roça. Quantos momentos de uma mãe que fazia de tudo para que tivéssemos roupa para vestir, agasalhos contra o frio e um chinelo para não pisarmos na geada. Que dizia não ter fome para sobrar mais comida para os filhos. Que tomava o prato de comida da gente, porque não conseguíamos comer tudo, e comia. Coisas de mãe que ama.

Quantas outras cenas lindas de minha mãe montando o presépio, enfeitando o mastro de são João, cozinhando pra gente no fogão a lenha, fazendo arroz-doce, doce de leite ou de abóbora, trabalhando na roça capinando arroz, colhendo café, capinando feijão ou colhendo milho. Quantos dias lavou roupa na bica, jogou milho pra’s galinhas, foi pescar, lenhar…

E as suas palavras? Muitas delas ainda fazem parte do nosso vocabulário, do nosso modo de ver e de dar significado à vida. Palavras duras, às vezes, e noutras palavras de afeto cravadas em nosso ser. Palavras de encorajamento, de incentivo, de alegria infinda e de amor terno e compassivo. Palavras macias e cheias de cuidado e atenção. Palavras, porém, intercaladas por momentos de silêncio. O silêncio profundo das noites de desolação e abandono. Silêncio que mais parecia prece ao pai entremeio a dor e o sofrimento. E quantas vezes estas palavras deram lugar ao choro e às lágrimas. Geralmente, sozinha na escuridão da noite.

Quantas fisionomias que ficam pra sempre comigo e com meus irmãos. Fisionomias que nos dão prazer em dizer que somos seus filhos. Fisionomias que moldaram nosso caráter de gente simples e valente. De gente que aprendeu a rezar com ela e a confiar que existe um Deus amoroso e uma Mãe no céu que nos protege.

Mãe, obrigado por tudo. Nós te amamos muito!

Ronaldo Sérgio!

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