Tarde da alma!

Um desenho no chão à toa,
apagado pela chuva fria,
entristecia o menino,
sentado na pedraria.
Mau vestido e corado,
desde o amanhecer não tinha,
se fartado da comida e do bolo,
que a mãe sempre fazia.

Recém aberto entre as folhas,
um formigueiro havia,
que distraía o menino,
sentado na pedraria.
Levado pela gentileza
e tocado pela doçura,
retira um graveto liso,
que uma formiga aturdia.

Ao longe um sereno fino,
que as serras já encobria,
deixava o menino alegre,
sentado na pedraria.
O vento e o correr do tempo,
vendo se vinha ou não vinha,
vendo se o rancho ao longe,
por ele esperaria.

Dali a pouco era nada,
a aragem tudo envolvia
e esquecia o menino,
que se sentara na pedraria.
Empunhando a enxada firme,
de chapéu e coragem ia
capinando o milharal viçoso,
como gente grande fazia.

O último raio do sol
que dizia adeus ao dia,
era aquele que separava,
o menino da pedraria.
Com o embornal vazio
pra casa voltava e ria.
Vivendo a tarde da alma,
a Deus ele agradecia.

Ronaldo Sérgio

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s