Loja de extravagâncias e picuinhas!

Que vantagens tiramos do nosso orgulho desmedido e da nossa fome arrogante por riquezas? Que vantagens tiramos da nossa vaidade sem limites e da nossa sede por luxúria e bem-estar?

Tudo isso passa como um sopro fugaz. Como um navio que corta as águas agitadas, mas não deixa nenhum rastro de sua passagem. Como um pássaro que voa pelos ares e não deixa nenhum vestígio depois que passa. Corta o vento, o ar brando e suave, ferindo-o com suas asas e com o toque das suas penas divindo-o em dois. Mas, logo depois, ninguém vê mais nada, nenhum sinal de que ali voava um pássaro.

Assim são os desejos…

Acho que vou abrir uma loja para vender extravagâncias e picuinhas. Não porque quero ficar rico. Nem porque quero ser dono do meu próprio negócio. Mas, simplesmente porque neste mundo há muitos apenas ocupados com essas coisas que não levam a nada. Gente com um desejo imenso em ter e ter sempre mais. Minha loja seria uma sala de estar. A sala de estar dos desejos sem direção. A sala para toda mecha de querer sem rumo que vai nos jogando ora para um lado, ora para o outro.

A intenção não é satisfazer todos os desejos. Nem ser um lugar onde se encontra tudo o que se espera. A intenção é ser um lugar agradável onde o vento para. Onde o orgulho e a vaidade possam encontrar um porto, um caminho e um sentido, brincando com extravagâncias e picuinhas. Ao menos estes desejos não estariam tão acupados com a maldade e com as pessoas de bem.

Ronaldo Sérgio

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