Quero o agora!

Não quero acumular amanhãs,
colecionar desejos e sonhos ilusórios.
Nem quero excogitar sobre o hoje,
vomitar o ontem sobre o amanhã,
aproveitando a vida, fazendo valer.
Valer o quê?
Valer o sol sobre minha cabeça?
O suspiro das minhas noites de insônia,
o ontem que não existe mais
ou o amanhã em sua fugacidade?

Deixe-me ser o que não sou,
fazer o que é proibido,
torturar minha carne com as delícias do agora.
O agora é a única coisa que tenho.
A coisa que existe,
informe, torta, bagunçada em mim.

Não quero acumular amanhãs,
nem matar o ontem,
e sair por ai, frustrado,
para poder aproveitar a vida.
Quero viver o agora e não o hoje,
uma invenção das propagandas,
uma alucinação dos meus desejos
que grita, grita por nada, um pedaço de prazer,

Quero o agora
o que não sou, mas que existe em mim.
Prefiro entrar naquele mundo escuro
sem luz, sem voz, sem sonhos e desejos,
e viver o que resta de mim aqui dentro.
Apenas agora o agora e nada mais.

 Ronaldo Sérgio

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