Velho caduco!

Livro de folhas velhas
pigmentadas de marrom,
aqui e ali com rastros de traças,
buraquinhos de cupim
e o cheiro de coisa abandonada
atrai minha atenção.

Num quartinho fechado, há anos,
um mundo se abriu, em abril,
Se fechou-se? Não, nunca.
Se fechasse, sumiria o amor
a imaginação e a candura dos meus olhos.

Foi ali, entre teias de aranha,
traças, cupins e o veneno do tempo
primavera após primavera,
quem dera, soubesse antes que estava ali.
O livro… envelhecido como gente envelhece.

Tomei-o nas mãos, abri.
Frágil, fino, sensível, mas forte.
Palavras soltaram lá de dentro
encheram meus olhos
povoaram meu peito
e ficaram brincando de ciranda por muitos anos.

Hoje, um pouco mais velho,
como velho era o livro,
suspiro e brinco de ciranda,
enquanto dizem que estou louco,
um velho descabeçado e caduco.
Mas, fico com o livro só pra mim,
guardado aqui dentro, dentro do peito.

Ninguém sabe,
minha loucura foi ler
ler até mijar nas calças e depois dormir,
ler até ficar assim como sou,
endoidecido.
Endoidecido e quieto de tanto prazer.

Ronaldo Sérgio

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