Desamarrada do mundo

Vassoura1

Pelos campos a cortar vassoura,
sentia uma angústia infinda,
como um oco fundo no peito,
como um lampejo sem sentido ainda,
um calafrio pelo corpo inteiro,
uma luz opaca lhe cegando a vista.

Pelos campos a cortar vassoura,
sentia uma pesada calma,
o vento lhe tocando o corpo,
recusando tocar-lhe a alma.
o olhar longe, absorto,
distrai-se com o próprio trauma.

Pelos campos a cortar vassoura
sentia o peito oprimido.
Com o sol lhe queimando o rosto
e o cheiro de alecrim florido,
que traía-lhe a vontade e o gosto
de varrer da vida o lixo.

Pelos campos a cortar vassoura,
sentia a dor de ser uma só,
de ter que manejar a vida,
sofrendo para desatar o nó.
O nó da má-fé da lida,
como mãe, mulher e avó.

Pelos campos a cortar vassoura,
sentia a vida afastar-se de si,
o chão já não existia,
nem via mais o alecrim.
Desamarrada do mundo, ia
caindo morta sobre o capim.

Ronaldo Sérgio

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4 comentários em “Desamarrada do mundo

  1. Vale a pena, portanto, ir aos campos cortar vassoura

    Curtido por 1 pessoa

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