Jarras velhas

Zé Veloso1

Foto de Zé Veloso

Teria um outro sorriso, se fosse um outro alguém. Os traços de sua face pareciam caminhos. Atraíam-me. Eram envolventes. Tentei caminhar por eles. Foi em vão. Foram eles que caminharam por mim. Passaram como um vendaval pelos textos de minha alma. Varreram toda pretensão e egoísmo. Limparam as suposições de dor que eu guardava. O sofrimento, a minha vanglória, sumiu.

O amor e a esperança moravam fora de mim, percebi. Habitavam entre aqueles traços da face dela. Eram ranchos em seus campos. Em mim, senti um vazio enorme. A penúria de sentido. Desconstruído por dentro. Carente de beleza. Beleza que ela deixou cair em minha alma. O amor e a esperança de um sorriso transformador. Sorriso que planta flores em jarras velhas. Trincadas.

Mostrou-me a casa onde morava. Nada de excesso nos quartos – nem na alma. Havia um riacho pequeno lá fora. Ouvíamos o barulho das águas, sentados na cozinha. Preparava o café…

Ronaldo Sérgio

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10 comentários em “Jarras velhas

  1. hangferrero disse:

    Maravilhoso texto, cheio de intenções e poesia…

    Curtido por 1 pessoa

  2. dusoutros disse:

    Texto excelente. Parabéns!

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  3. Pedras Preciosas disse:

    Você escreve muito bem! Meus parabéns

    Curtido por 1 pessoa

  4. vileite disse:

    Lindo e emotivo texto !

    Curtido por 1 pessoa

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