Mãe

conto35

Gerar

Amaste-me mais que tudo
tecendo-me em teu ventre
Abraçaste-me com terna ventura
de amor eterno
sofrendo uma dor agreste
fazendo-me amar-te sempre.

Nascer

A dor que em mim doía
tremendo nos teus braços
era o desamparo d’alma
lenta e frágil
amparada em teu regaço

Crescer

Sentindo-te outra
resvalando em ti meu corpo
entre afagos e afetos
deixaste sentir-me um outro
entranhando n’alma
seus toques de amor, oh mãe.

Cuidar

Os trechos que mais chorava
era a dor da solidão
destronada dos cuidados
desejando mover mundos
pra tirar minha aflição
curava-me ver-te assim
entre mimos amando-me.

Morrer

O tempo da vida é o corpo
sem hora é a alma
cicatrizada de amor
afigurando o eterno
no peito meu que ficou
seu amor é meu amor,
pra sempre.

Foto de Pinterest
Poema: Ronaldo Sérgio

Feridos de fortaleza

Ouro fino Conto1

Há um bom tempo atrás fiz uma música relembrando os meus amigos e amigas da juventude. Cenas lindas e outras tristes foram passando diante dos meus olhos. Cenas misturadas com as paisagens de Ouro Fino, cidade linda do sul de Minas Gerais. Música composta para todos eles, com muito carinho. Cada um de nós tomou o seu próprio caminho. Muitos se formaram, se casaram. Continuamos amigos. Outros não sei o que fazem e nem como vivem. Perdemos os laços. Laços bons, saudáveis, mas que não existem mais. O importante é que compus também para eles e para aqueles que ainda fazem parte de minha vida. O nome é muito sugestivo: feridos de fortaleza. Fortes e lindos quando jovens, mas feridos de grandes paixões e amores que não voltam mais…

Quem sabe, fizemos como fomos
fiéis e um pouco santos
nada demais pro tempo
rebeldes como jovens e estamos bem.
Contamos as cores e as aventuras
a nossa fisionomia,
contive um riso livre
segredos de um velho estilo e estamos bem.

E tudo mais eu sei, virá:
o amor por descobrir
as luzes pra viver
um sonho bom pra nós
no desvelar do ser.
Amante, amado, por se fazer.

Que bom, olhamos a mesma estrela
feridos de fortaleza
com charmes de finitude
um fundo de encanto novo e estamos bem.
Amamos, criando a nossa morada
o enfeite da existência
palavras de fogo escritas
tão joviais de alma e estamos bem.

E tudo mais eu sei, aconteceu:
as fugas no caminho
de vento os moinhos
as mil e uma portas
da imaginação.
Amante, amado, nem tudo acabou.

Há um poço, além das rochas.
Você até que ficou triste
quando eu fui embora
mas a minha vida é outra.
São fagulhas do nosso jeito de ser,
o amor que nos escapa,
correndo pela casa
e por onde andamos.

Ronaldo Sérgio