Chorando

FB_IMG_1453631757886

Importunar o vento não posso
e pedir-lhe que te acompanhe
que não se afaste de ti
que segure os seus passos no calar da noite
que toque o seu corpo purificando o seu amor
e nem implorar-lhe que te conte os segredos
dos meus pensamentos.

Não quero discutir com o sol
que entra pela janela
e me deixa só,
nem com as tristes garoas
a tocar minhas flores no quintal
chorando por ti
desejando-te o teu perfume
o balanço do seu andar
o tom da sua voz.

Só quero rogar aos riachos para que voltem
que retirem a escuridão do seu caminho
para te pedir perdão
e acreditar que posso ti amar
todas as tardes
e todas as manhãs.

 

Foto de Jale Elaj
Poema de Ronaldo Sérgio

 

Anúncios

Nua

Corpo1

Entre… mal abriu a porta. A brisa tocava-lhe o rosto. Sustentada pela eterna expansão da noite. Seu desejo rasgava-lhe o riso. Despercebida. Era o mundo entregue a ela. A brandura do calor do corpo dele. O tom da sua voz. Completamente envolta. Dentro dele. Deu-lhe um beijo. Um abraço. Entraram.

Venha! Sente-se…. estou quase pronta. Segura-lhe a mão. Comprimida pela maciez de seu perfume. Saiu. O quarto a volvê-la toda. Nua. Trocava-se com a lentidão do toque. Fugidio era o pensamento nele. Na sala. À espera dela.

Sairam àquela noite….

 

Ronaldo Sérgio

Foto: Google

Meu figurado amor

Teria sido o vento
ou a luz de Atenas
Teria sido a curva
ou a dor apenas
Teria sido sonho
ou o mar de avenas.
Quem dera fosse amor
em quietas cenas
Quem dera fosse dia
apaziguando penas.
Quem dera fossem palavras
como Mecenas
Protetoras de meu eu
minha angústia apenas.

Foto e poema: Ronaldo Sérgio

Mãe

conto35

Gerar

Amaste-me mais que tudo
tecendo-me em teu ventre
Abraçaste-me com terna ventura
de amor eterno
sofrendo uma dor agreste
fazendo-me amar-te sempre.

Nascer

A dor que em mim doía
tremendo nos teus braços
era o desamparo d’alma
lenta e frágil
amparada em teu regaço

Crescer

Sentindo-te outra
resvalando em ti meu corpo
entre afagos e afetos
deixaste sentir-me um outro
entranhando n’alma
seus toques de amor, oh mãe.

Cuidar

Os trechos que mais chorava
era a dor da solidão
destronada dos cuidados
desejando mover mundos
pra tirar minha aflição
curava-me ver-te assim
entre mimos amando-me.

Morrer

O tempo da vida é o corpo
sem hora é a alma
cicatrizada de amor
afigurando o eterno
no peito meu que ficou
seu amor é meu amor,
pra sempre.

Foto de Pinterest
Poema: Ronaldo Sérgio

Do amor e outros demônios

3.08.2016 - 1 (1)

Poema inspirado no romance de Gabriel Garcia Márquez: Do amor e outros demônios.

Arrancaram de seu olhar
aos gracejos de sua voz
seu sorriso e o sol.

Tiraram-na do mundo
e numa cela imunda
tecia os dias recortando o céu.

Quem dera fossem diabos
os pensamentos teus
tuas palavras roucas.

Ver-te em minha alma
Chorosa e dorida
presa da fé estúpida
que outros cultivam
dá vontade de gritar e te recolher.

Torceria o fim
para te ver salva
mas o que me aguarda
é ler-te em mim desfalecida

Pelo mal de deus
carregando cruzes
santos brutalhados
foste enorme a dor
hoje a minha dor
é ver a morte sua.

Resenha muito boa em PDF Do amor e outros demônios. Gabriel Garcia Márquez

Foto de Jali Elaj

Ronaldo Sérgio

Lascas de um dia

Novo5

__ Perdoe-me! Meus olhos estão pesados. Minha fronte dói. Sinto um vazio lá fora. O que me move por dentro se cala. Restam-me lascas de um dia difícil. Preciso dormir. Boa noite!

Tocou-lhe o peito, aproximando seu corpo ao dele. Debaixo dos lençóis. Deu-lhe um beijo.

__ Eu sei meu amor. Boa noite, durma bem!

Caíram no sono.

Foto de photobucket
Ronaldo Sérgio

 

 

Pétalas do anoitecer

29.05.2016 - 1

 

Somente um dia. Deixe-me tentar. Apenas um dia. Dê-me um beijo e venha espalhar comigo essas pétalas.

Saíram…

À tardinha tudo é bem diferente. O amor anoitece. Belo e terno. Mas não dorme. Ama-se com a fibra do sol se pondo. Fica querendo deixar rastros. E deixa… sempre deixa.
Espalharam pétalas na entrada de casa. Brancas, vermelhas, amarelas, pequeninas e grandes. Eram lindas. Deixaram suas mão perfumadas. O olhar bonito. O coração aquecido.

Olharam-se.
__ Venha sentar-se, meu amor!

Esperavam. Com o cheiro doce e temperado do anoitecer ainda criança. A comida pronta e mesa feita. Eram seus amigos. Viriam para o jantar. Naquela noite. As pétalas brilhavam com a luz da varanda.

Viram… se olharam…
__ Nossa, que lindo!
__ Sempre cheios de carinho!

Nem bateram à porta. Já estava aberta. Tinham ouvido o barulho. Sentido o tempo deles. E ido ao seu encontro. Abraçaram-se… sobre as pétalas. Entraram…

Foto de Jale Elaj
Ronaldo Sérgio