Delicada

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Repousa aqui o seu canto
tão cedo acordada
fiando finuras em mim.
Sua delicada beleza
fascina-me tanto
cada dia é um trecho
devagar como a vida.
Percorro meu rosto
desenhado no espelho
e voo e canta em meu peito
a doçura de ser
longe da noite
debaixo da luz do sol
contigo ao amanhecer.

Foto e poema: Ronaldo Sérgio

Quando minhas palavras

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Quando minhas palavras forem reais como seus sorrisos. Quando forem delicadas como as flores. Quando trouxerem alegria ao coração e descanso para alma. Quando o sentido delas estiver abraçado com a vida.
Quando minhas palavras forem simples como é simples estarmos juntos, sentados ao cair da tarde. Quando ficarem caladas e no silêncio disserem tudo. Quando minhas palavras carregarem os corações e os encherem de doçura e respeito. Quando nascerem com o sol e nascerem com a lua, perfumando o mundo de luz.
Quando minhas palavras esculpirem retratos de paz e gentileza na brusquidão do mundo. Quando acariciarem os pés cansados e as mãos calejadas. Quando aquecerem o corpo fazendo-o forte contra a dor e o sofrimento. Quando minhas palavras tocarem a pele tecendo brandura e mansidão contra a violência.
Quando minhas palavras disserem o porquê do mal e o porquê do amor. Quando tocarem a alma sorrindo das tolices da vida e dos problemas inúteis que criamos. Quando minhas palavras voarem como o beija-flor. Quando correrem sobre as pedras como as águas cristalinas dos riachos. Quando tocarem o céu e se desmancharem como as núvens.
Quando minhas palavras forem laços entre nós. Quando ficarem contigo para fazê-lo feliz. Quando forem pontes de beleza e simplicidade. Então sim, também serei feliz.

Ronaldo Sérgio

Alma torta

Alma torta1

Foto do google

Tirem de mim o peso do nada,
o vazio do vento da noite,
a sombra que parece real
mas não tirem de mim a leveza
e nem a doçura de descascar uma laranja.

Minha alma é torta. Sim, muito torta.
Como as sombras na caverna
um mito antigo de Platão.
Carrega o sabor das laranjas,
atada às ideias do céu.
Pois é o nada que me fascina
e abala os objetos amarrados em mim.

de Faria, Ronaldo