Tenebrosa beleza

7.08.2016 - 1

Diz-me,
tenebrosa beleza
o que escondes
tão longe de mim
vindo assombrar-me
com a força do vento.

Conta-me
terna escuridão
o que contigo trazes
revirada em mim
chegando assustar-me
na curva do tempo.

Figura-me
terrível encanto
se foi o amor, a dor ou a flor
que te deixaram assim
querendo aturdir-me
vazio dos sonhos.

Carrega-me
pois, carrega-me contigo
leva o que tens e o que tenho
não me deixes só no desamparo
sentado na praia
sofrendo minha dor.

Foto de Jale Elaj
Ronaldo Sérgio

Pérolas

Novo1

Ao ler um romance, um poema. Ao assistir a um filme, apreciar imagens ou obras de arte, todos nós peregrinamos. Esta é a tag do leitor amante. O peregrino. Aquele que chega e fica. Por um instante. Um dia. Uma hora. E vai embora. Nesse peregrinar encontra muitas pérolas. São elas que ele quer partilhar e, é claro, os ranchos por onde passa. Os ranchos são os blogs dos seus colegas.
Segue o endereço, a estrada, para cada um deles. É só clicar nas pérolas (textos ou imagens). Guardo o mistério dos nomes. Fica para a sua curiosidade.
Deixo o convite para fazerem o mesmo. A quantidade de rancho é uma escolha livre. Impossível partilhar todos. O selo do peregrino pode ser partilhado.

 

Ronaldo Sérgio

Deus mutilado

Zé Veloso2

Foto de Zé Veloso

Confesso.
Deus não morreu.
Está mutilado.
Mutilaram-no longe do céu,
dando-lhe um lugar perto de mim
fisgando a minha pele.
e flagrando a minha dor.

Toda escuridão atrás do morro
caiu aqui dentro
em mim, fazendo preces,
enquanto cantavam ladainhas
do sofrimento humano
vestindo-o com elas,
com mazelas e mazelas

Aleijaram meu humor.
Zombaram de minha dor.
Insuportável dor
que segura a vida
que sustenta silenciosa
minha alma quase cativa
insatisfeita de tudo
agarrada ao mundo
à procura de Deus.

 

Ronaldo Sérgio

Longe de ti

Conto23

Foto do google

Minh’alma se agarra ao sol
mesmo na escuridão da noite
sôfrega procura por sua presença
nas entrelinhas dos dias
sem sentido longe de ti
porque te ama demais.

Dessabida é minh’alma sem ti
sempre insatisfeita com as doçuras do mundo
com as flores que murcham
com o canto dos pássaros
e os sons dos ventos que a fazem tremer
querendo o calor da sua proximidade.

Carrega consigo a eterna dor
de não poder te alcançar
te tocar e te conhecer como és,
se entregando às horas sem ti
presa à própria ideia de não poder se revelar
e dizer que te ama.

Se debate entre os afazeres debaixo do céu,
se arrumando todos os dias
juntando os pedaços espalhados pela casa
escondendo as lágrimas
e usando os melhores produtos,
para enfeitar o sofrimento que sente,
longe de ti.

Minh’alma grita em silêncio
esperando, amando e sofrendo
sem saber se no fim dessa história
te encontrará ou não.

Ronaldo Sérgio