Chorando

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Importunar o vento não posso
e pedir-lhe que te acompanhe
que não se afaste de ti
que segure os seus passos no calar da noite
que toque o seu corpo purificando o seu amor
e nem implorar-lhe que te conte os segredos
dos meus pensamentos.

Não quero discutir com o sol
que entra pela janela
e me deixa só,
nem com as tristes garoas
a tocar minhas flores no quintal
chorando por ti
desejando-te o teu perfume
o balanço do seu andar
o tom da sua voz.

Só quero rogar aos riachos para que voltem
que retirem a escuridão do seu caminho
para te pedir perdão
e acreditar que posso ti amar
todas as tardes
e todas as manhãs.

 

Foto de Jale Elaj
Poema de Ronaldo Sérgio

 

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Ferida

15.05.2016

Tamanha insensatez
e estúpida brutalidade
foi te cortar tão cedo
levados pela beleza
pelo prazer em tê-la
para enfeitar seus egos

Não estavam colhendo flores
bárbaros sem amor
Estavam te arrancando
pequena e indefesa,
frágil de alma ilesa
do mundo da vida

Presa no eterno fato
e acorrentada pela infinita dor
a violência é o muro
à sua frente ó Ferida.
Mas, esquecerão de ti
e ficará sem mim
para te acolher.

Quem dera passasse
e ficasse em cada lar
para estilhaçar o medo
de lutar pela paz.

Foto de Jale Elaj

Ronaldo Sërgio

Viagem de sexta-feira – Tag

Tag1

Paisagens dos lugares onde andei

Uma viagem diferente. Foi muito bom encontrar sentido longe de meu recanto. Não fiz nenhum plano e nem comprei nenhum ticket. Também não precisei de bagagens, reservas em hotéis ou coisa parecida. O que me acompanhou foi uma xícara de café bem quentinho e pão recheado. Não foi uma viagem longa, foi pitoresta e cheia de peripécias. Contar tudo é impossível.

O primeiro recanto turístico que visitei foi o de Vício Lícito com a sua inspiração do dia… perguntas. A paisagem era linda. Viver no passado faz sofrer e pode não nos levar para muito longe. “A pessoa se “agarra” aquele acontecimento do passado e permite que ele estruture e organize grande parte da  sua vida, impedindo dessa forma, que a mesma realize mudanças, cresça e se desenvolva” Tati Bertasso. Lembrei-me de tantas cenas passadas que fui parar nos anos 80, quando ainda era criança e brincava de esconde-esconde ao redor de casa. O que adocicou este meu momento de embriaguez foi Chronosfer, com George Harrison e o seu Early Takes Vol 1. Fernando Rozano me levou ainda pra mais longe no passado, aos saudosos anos 70. Meu café ficou até mais gostoso ouvindo Gerge Harrison nesta manhã.

Estava tudo perfeito em minha viagem até que encontrei Desabafo em Rodapé. Trouxe-me de volta ao meu aposento com esse negócio de “andar como se estivesse parado”, em Lá venho eu sem novidades. Fiquei meio zonzo, parecia estar olhando para uma pintura de Van Gogh. Estava como que levado pela sua mão. Nada de estranhar que seja assim, visto que tem citado Cecília Meireles: também é ser, deixar de ser assim. Por um instante deixei-me levar, sem nenhum propósito de retorno. Foi numa cafeteria na cidade Kuwana, no Japão, em que fui resgatado. Rodeado por flores em Vivimetaliun, também fiquei perfumado por elas. Ah minha querida, sempre me lembro daquela sua citação de Fernando Pessoa em seu gravatar. Fica sempre cutucando minh’alma, como as begônias do parque Nabana. Pena não saber seu nome, Vivimetaliun.

Foi ali mesmo, ainda sentado entre as flores, que recebi uma visita da Pitaquinha, com seu alforge intitulado Pitacos e Achados. Com o seu Olá pessoal!, discreto e acolhedor, sempre faz a gente se sentir bem. Em “Você é bom de conversa” me fez recordar do trecho reservado de meu caráter. Nada demais. Deixei-a falar, correndo o movimento de suas palavras, porque como ela mesma disse: “além de se mostrar educado, ouvir o que as pessoas têm a dizer, de acordo com especialistas no assunto, é uma tática comprovadamente eficaz para manter um bom diálogo”. É mesmo uma virtude. Sempre falamos um pouco mais do que ouvimos…

Viagem cheia de gente, de cores, de perfume e de palavras. Foi ótima. Já era tempo de partir novamente. Deixar que essa aventura parasse ali, entre os Pitacos e as músicas de George Harrison. Mas não! Deparei-me com um caminho aberto, inusitado e com os dizeres: Let’s go anywhere de Pedalo pela Cidade. Lembrei-me de minha primeira bicicleta e da primeira vez que fui à cidade sozinho montado nela. Que experiência fantástica. Recordo-me das curvas da estrada, dos pedregulhos e do frio na barrida de medo.

Muito bom viajar assim na companhia dos meus amigos blogueiros. Quer viajar? Então venha…

Ronaldo Sérgio

 

Tramela de minha alma.

Conto20

Foto do google

 

Ah, tramela de minha alma,
os sinais das mãos
caleijadas e doces
ficaram pasmadas em ti
te fizeram girar e girar
como giravam meus sentimentos
e minhas fantasias.

Ah, tramela de minha alma,
que fecha janelas
aquecendo meu ser
entre as flores e os sonhos
contra as ilusões dos ventos,
me jogando nas sombras
de amores ternos
como as emoções cálidas
no frio de inverno.

Ah, tramela de minha alma
marteladas em dias de sol
moldaram sua face meiga
e sua firmeza no olhar.
Tramela que rodopia
separando as noites
e anunciando o dias.

Ah, tramela de minha alma
fechadura feita de dor
que isola e obscurece
e deixa lamuriosas histórias
penduradas em meu semblante.

Oh, tramela de minha alma
fizeste de mim um mundo
um caminho, uma casa, uma fonte
que tranca e destranca, abre e fecha
que traz a luz, a sombra e as trevas

Ah, tramela de minha alma
que tramou meu sorriso assim
minha face e minha casa
meu deus e meu rasto
limitando o meu amor
que quase viu o fim
encarcerado num quarto.

Ronaldo Sérgio