Esquecedor do céu

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Esquecemos o horror
O sopro do vento
vivendo o desalento aos risos
e os sofrimentos

Esquivamo-nos da morte
e do sol que nasce
caminhando a passos largos
no assoalho do mal

Desprezamos as lágrimas
a cambuca d’água
cheia do horror alheio
estilhaçada.

A sede insatisfeita desgosta
a dor desgosta
a violência desgosta

Roubamos de Deus:
o horror de ser o que é
sem poder ser sem horror
pobre esquecedor do céu.

Ronaldo Sérgio

Nada como recomeçar colocando Deus no fogo!

Recomeço1

Foto do google

Nada como recomeçar pensando. Este não é apenas meu questionamento, mas dos filósofos Hume, Kant, Nietzsche e outros.

Se há um Deus, necessariamente ele deve ser perfeito, onipotente, totalmente bom e saber de todas as coisas.
Se Deus é totalmente bom, por que há tanto mal no mundo?
Se Deus sabe de todas as coisas, por que permite que o mal aconteça?
Se Deus é onipotente, por que não aniquila todo o mal?
Se Deus é bom e, no entanto, deixa que o mal nos acometa, então trata-se de um Deus de más intenções. Portanto, não é Deus.
Se Deus sabe de todas as coisas e do mal que virá a acontecer e, no entanto, não o evita, é como um pai que deixa o filho se estrebuchar. Portanto, também não é Deus.
Se Deus é onipotente, mas não tem o poder para aniquilar o mal, então trata-se de um falso Deus.
Portanto: se o mal existe (todos nós já o experimentamos de uma forma ou de outra), Deus não pode existir.

Enquanto houver o mal no mundo, a existência de Deus estará questionada.

Na história da teologia e da filosofia houveram muitas respostas a estas questões como a teoria do livre-arbítrio, a teoria da pedagogia divina, a teoria escatológica, e outras.

Qual seria a sua resposta?

Ronaldo Sérgio

Redemoinhos de vento

Foto do google

Naquele trecho da estrada,
a poeira se levantava
com o vento em redemoinho
na tardezinha de sol.

O menino que ali passava
a olhar parou um instante
e fez de conta que o vento
fosse trazer-lhe o mal.

Tão logo os ciscos voaram
Tão logo também caíram
e o menino seguiu caminho
assobiando pro “Tal”.

O céu sem nenhuma mancha
e o menino com tantas manhas
com um graveto na mão
só queria riscar o sol.
Não queria ficar alheio
aos perigos do capeta
dos redemoinhos apressados
que a vida leva e traz.

Riscar o chão com o graveto
uma metáfora do seu desejo
de querer furar o mundo
o vento, a vida e a morte.

Queria achar sentido
nos redemoinhos da vida
ao deixar um sinal no caminho
nem que fosse um risco apenas.

E ainda que a poeira respirada
sumisse dentro de si
e fosse uma parte de si
compondo seu caráter
não deixaria que os ciscos
que cegam e enfeitiçam
lhe roubassem o tempo
lhe tomassem a vida
e lhe fizessem frágil.

Redemoinhos de vento
portais do ‘Coisa Feia’
não lhe assutavam nunca.

O menino era feito de sol
o sol que acordava as montanhas
e trazia em sua alma
a força da luz de Deus.

Ronaldo Sérgio