Pesteado

 

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Penumbra
devagar divaga em seu olhar
voa tomando espaço
e os resquícios do sol
caem lentos
quando os medos
tomam conta dele
estacou-se vendo.

Redemoinho
na curva da estrada
virando os vãos
apossando-se dele
que deixa os passos
trêmulo apressados
fora de si
segurando-se mal
ao capeta atento.

Pesteado
vai de revés voltando
o olhar pra trás
recostando ao léu
sua lembrança doce
de quando menino
virava a vida
como o poeira vira
ao sabor do vento.

O capeta estava dentro dele.

Foto: mana5066
Ronaldo Sérgio

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Redemoinhos de vento

Foto do google

Naquele trecho da estrada,
a poeira se levantava
com o vento em redemoinho
na tardezinha de sol.

O menino que ali passava
a olhar parou um instante
e fez de conta que o vento
fosse trazer-lhe o mal.

Tão logo os ciscos voaram
Tão logo também caíram
e o menino seguiu caminho
assobiando pro “Tal”.

O céu sem nenhuma mancha
e o menino com tantas manhas
com um graveto na mão
só queria riscar o sol.
Não queria ficar alheio
aos perigos do capeta
dos redemoinhos apressados
que a vida leva e traz.

Riscar o chão com o graveto
uma metáfora do seu desejo
de querer furar o mundo
o vento, a vida e a morte.

Queria achar sentido
nos redemoinhos da vida
ao deixar um sinal no caminho
nem que fosse um risco apenas.

E ainda que a poeira respirada
sumisse dentro de si
e fosse uma parte de si
compondo seu caráter
não deixaria que os ciscos
que cegam e enfeitiçam
lhe roubassem o tempo
lhe tomassem a vida
e lhe fizessem frágil.

Redemoinhos de vento
portais do ‘Coisa Feia’
não lhe assutavam nunca.

O menino era feito de sol
o sol que acordava as montanhas
e trazia em sua alma
a força da luz de Deus.

Ronaldo Sérgio