Pesteado

 

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Penumbra
devagar divaga em seu olhar
voa tomando espaço
e os resquícios do sol
caem lentos
quando os medos
tomam conta dele
estacou-se vendo.

Redemoinho
na curva da estrada
virando os vãos
apossando-se dele
que deixa os passos
trêmulo apressados
fora de si
segurando-se mal
ao capeta atento.

Pesteado
vai de revés voltando
o olhar pra trás
recostando ao léu
sua lembrança doce
de quando menino
virava a vida
como o poeira vira
ao sabor do vento.

O capeta estava dentro dele.

Foto: mana5066
Ronaldo Sérgio

Silêncio de Deus

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Foto de Ronaldo Sérgio

Minha alma tem vãos
tem trechos e mistérios.
O silêncio que ela esconde
na parte mais nobre
é o silêncio de Deus.

A parte mais nobre
o aquém de minha alma
é um trecho inóspito
onde sei que não moro
nem poderia ficar.

Onde moras, oh Deus?
Em minha alma, onde moras?
No aquém de mim mesmo?
Por que te escondes de mim?
Sua face e seu cheiro
Sua fissura por mim?

Nada ouço e nada vejo
neste trecho da estrada
neste vão de silêncio
neste texto de dor
pois não te encontro em minha alma

E porque não te encontro,
encontro a mim mesmo
desfigurado e aflito
ocupado comigo
na escura desolação
da falta de ti.

Afronta-me o seu silêncio
e a sua bruta quietude.
Na escura parte de minha alma
na parte mais nobre.
E por que se desencontra de si mesma
se perde de Ti.

Ronaldo Sérgio