Chorando

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Importunar o vento não posso
e pedir-lhe que te acompanhe
que não se afaste de ti
que segure os seus passos no calar da noite
que toque o seu corpo purificando o seu amor
e nem implorar-lhe que te conte os segredos
dos meus pensamentos.

Não quero discutir com o sol
que entra pela janela
e me deixa só,
nem com as tristes garoas
a tocar minhas flores no quintal
chorando por ti
desejando-te o teu perfume
o balanço do seu andar
o tom da sua voz.

Só quero rogar aos riachos para que voltem
que retirem a escuridão do seu caminho
para te pedir perdão
e acreditar que posso ti amar
todas as tardes
e todas as manhãs.

 

Foto de Jale Elaj
Poema de Ronaldo Sérgio

 

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Voa liberdade

Essa música é tudo o que quero ouvir….

Linda.

Tramela de minha alma.

Conto20

Foto do google

 

Ah, tramela de minha alma,
os sinais das mãos
caleijadas e doces
ficaram pasmadas em ti
te fizeram girar e girar
como giravam meus sentimentos
e minhas fantasias.

Ah, tramela de minha alma,
que fecha janelas
aquecendo meu ser
entre as flores e os sonhos
contra as ilusões dos ventos,
me jogando nas sombras
de amores ternos
como as emoções cálidas
no frio de inverno.

Ah, tramela de minha alma
marteladas em dias de sol
moldaram sua face meiga
e sua firmeza no olhar.
Tramela que rodopia
separando as noites
e anunciando o dias.

Ah, tramela de minha alma
fechadura feita de dor
que isola e obscurece
e deixa lamuriosas histórias
penduradas em meu semblante.

Oh, tramela de minha alma
fizeste de mim um mundo
um caminho, uma casa, uma fonte
que tranca e destranca, abre e fecha
que traz a luz, a sombra e as trevas

Ah, tramela de minha alma
que tramou meu sorriso assim
minha face e minha casa
meu deus e meu rasto
limitando o meu amor
que quase viu o fim
encarcerado num quarto.

Ronaldo Sérgio

Os ventos de agosto!

Os ventos de agosto já se foram e o céu enfumaçado das tardes secas e frias darão lugar à primavera. Em agosto o infinito é menor do que em outros meses do ano. O ar é mais pesado e sujo por causa da secura e da fumaça. Mas, setembro virá com o céu aberto e límpido. Com o horizonte escancarado para a imensidão sem fim.

Assim também acontece em nossa vida. É preciso que os ventos soprem levando consigo o desgosto e a amargura. Levando pra longe a secura das noites e a proximidade da dor. É preciso que o peso da vida dê lugar à leveza e que o ressentimento se quebre dando lugar aos abraços e à paz. Que vivamos setembro e sejamos assim abertos para as surpresas da existência

Ronaldo Sérgio